August 30, 2010

Medi cú.

Resolvi voltar a malhar. Mentira. Não resolvi nada, resolveram por mim com argumentos convincentes: quem vai casar no Caribe, na saradeira precisa estar. Válido!


Foram 2 meses para achar uma academia que preenchesse todos os meus pré requisitos: preço, localidade e boa aparência. Tem uma aqui perto de casa que custa o precinho justo de R$105,00 mensais. Só o preço é justo, o cheiro é injusto para qualquer nariz que se preze a passar na porta. Eca! Já a outra que cobra R$199,00 reais mensais e é linda de morrer, cheia de aparelhos novinhos que malham por si só, tem um único problema - é muito perto de casa, e entre a minha cama e aquele colchãozinho cretino de fazer abdominal.... sem chance: God save the Queen - size e seus travesseiros. Enfim: optei pela academia de preço intermediário que fica ao lado do trabalho e não tem chance de fugir. Afinal as opções são: esperar o trânsito da Marginal Pinheiros passar caminhando na esteira ou se abraçar nele. 


Fui fazer a matrícula com a taxa gentilmente isentada e já gostei! De repente vira-se a mocinha e diz "ah mas só pode começar depois que trouxer o atestado. Você pode estar trazendo no dia que for começar a malhar". Doeu no seu ouvido? No meu doeu MUITO. E outra... Tem que complicar... Isso adia meu sonho da barriga tanquinho em mais 5 dias. Marcar médico, coincide com a agenda do trabalho e blablabla. Marcado: Cardiologista, segunda-feira 30 de agosto, 17h00.


16h59 lá estava eu sentadinha na sala de espera, esperando a minha vez de pegar o tal papel que dizia que eu posso sim me arrebentar de malhar. Como se já não bastasse eu me convencer disso, ainda tenho que provar, preto no branco. Humpf.


17h10 em ponto e a fofa da recepção passa uma ligação pro Dotô. Ouço a voz dele, voz de gente de idade e um tom sem paciência, acrescido ao sotaque hispânico muito pesado.


17h20 e eu ainda divagando sobre o quão doloroso seria acordar mais cedo no outro dia pro meu encontro fatídico com a esteira e nada do homem me atender. Não acho fino médico que atrasa. Ainda mais quando não tem ninguém no consultório além de mim e da recepcionista, secretária, ou sei lá o que que não levanta o rabo da cadeira pra acelerar o médico.


17h45 e nada! Oh mocinha, você pode verificar se o Dr pode me atender? Eu to com o horário meio apertado. "ah ele já vai te atender..." Já? Eu queria entender quem foi que estabeleceu essa linha tênue entre o Já e o AINDA. 


Entrei na sala e já pensei, "acho que vou voltar de costas e assim ele vai pensar que eu nunca estive aqui". Não deu tempo... "SENTE-SE". Tá bom, tá bom, sentei, não briga não tio. "Pois não?" Expliquei o motivo da minha ilustre visita ao consultório, ele fez 3 perguntas e me pediu pra sentar na maca pra fazer exames. Obedeci, boa menina que sou.


Terminou e nem me falou nada, já sentou na mesa dele e desandou a escrever uma bíblia. Me entregou um calhamaço de folhas e disse "faça esses exames". Esse é aquele momento da vida em que você humildemente cala a porra da boca e obedece, agradece, levanta e sai da sala sorrindo. Mas não, eu tinha que perguntar por que... 


"Minha filha, quando a senhora entra num consultório porque precisa de alguma coisa, tem que aceitar o que o médico, autoridade máxima do consultório estabelece. Eu sou a autoridade desse consultório, quem manda aqui sou eu." Capitão Nascimento surgiu na minha frente em versão enlatada mexicana. 


"A senhora entra aqui e acha que vai solicitar o que bem quer, mas quem manda aqui sou eu. Eu estou te fazendo um favor [chacoalhando os pedidos de exame no ar] em pedir esses exames, porque se acontecer alguma coisa com a senhora eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeu serei o responsável" Começa um tango de fundo........... e repete o parágrafo acima 5 vezes feito um refrão.


Respirei fundo e o interrompi dizendo, prometendo, jurando que eu ia fazer tudo, tudinho em um ato desesperado para ver se ele parava de falar. Ele parou. Esse é o segundo momento que Deus te dá de novamente sair de uma situação delicada, mas...


"Até quando esse formulário é válido, porque eu vou viajar e ficar um mês fora, tem problema?" A FDP da recepcionista nem pra vir me socorrer, ou alguém me acordar desse pesadelo. O homem começou a gritar "Irresponsáááááável!!!!!! Por que não disse antes??? Este formulário é valido por triiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiinta dias. Mas agora de nada já não vale." M-E-D-O.


Meu ímpeto era de me jogar no chão como um soldado em fogo cruzado e sair da sala me arrastando. Depois me subiu uma ira e me imaginei picando todas as guias de exame e fazendo chuvinha de papel na cabeça dele, só pra ver se o cara infartava. 


Quando ele finalmente puxou fôlego novamente para dizer "Eu estou te fazendo um favooooooor" pela 29° vez eu me agarrei nas guias de exame e disse em voz alta "Então não faça!!!!!!!!!!!!!!"  e saí da sala. "Mocinha, eu ainda não te dispensei, volte aqui". Saí foragida! Quase que correndo da Silva.


Oi? Alor? Isso tá mesmo acontecendo comigo???? No hall do elevador e ainda ouvindo os berros do Dotô, eu pensava.. Esse negócio de fazer exercício pode ser prejudicial a minha saúde Mental!


De repente o elevador fez "plim" na minha frente, a porta abriu e a luz iluminou as guias de exame nas minhas mãos. Foi então que eu vi, o sobrenome do médico era: MALUF.





Back to the middle

Voltei. Update para mais explicações: later!

April 27, 2008

mudando conceitos

depois de alguns dias de molho, finalmente saio pra ver a luz do dia e dirigir um pouco pela cidade com meu pacotinho de bolachas cream cracker e minha garrafinha de água(hmmm que delicia - isso foi uma ironia, enfim é a única coisa que eu posso comer). To parada no sinal vermelho num cruzamento e vem um senhor de muletas pedir esmola. Eu NUNCA dou dinheiro... até porque nunca tenho mesmo, mas enfim, disse que so tinha as bolachinhas e a ultima estava na minha mão com a pontinha mordida, daí eu disse "o senhor aceita?" e ele responde "não, você já colocou a boca!!!!" com cara de nojinho... !?!

April 23, 2008

arrepiamos!

Um colaborador voluntário deixou um comentário muito poético e vale a pena publicar:

A Deus Benguela

autor: Carlos

A Deus, a Deus Benguela!
Mal de ti jamais direi
Da o mundo muita volta
Näo sei se cá tornarei

Ja cá estou na Europa
Näo me sinto aqui feliz
Muita gente á minha volta
Mas ninguém me fáz feliz
Que saudades täo sentidas,
Me custou, esse adeus
Que te dei à despedida
Fintando os olhos nos teus

Sou homem que quer chorar
E me sinto envergonhado
Choro e canto
Cancöes tuas tropicais
tudo isso è um incanto

Ajoelhei junto à praia
E posto aos pés de Benguela
Ela è um incanto
Fui pedir-lhe o seu amor…
Benguela suavamente sorria…

Benguela dá-me um beijo,
ai, näo me digas que näo
dá-me um só para traze-lo
gravado no coracäo

Bamza Pombo

April 21, 2008

dirty & nasty

Logo que cheguei aqui ficava horrorizada com o estilo de vida dos homens angolanos. Depois fiquei abismada sabendo que a mulherada não fica atrás. agora estou boquiaberta, estupefata, besta, bege e passada porque cheguei a conclusão de que a maior parte das pessoas quando chegam em Angola perdem a vegonha na cara por completo!
Certo dia eu estava no carro com o antigo motorista, o Fred, e ofereci a ele um par de ingressos para um show que a empresa para a qual trabalha estava patrocinando. Ele obviamente aceitou. E eu estupidamente perguntei "e aí fred vai levar a esposa né?". Ele coça a cabeça pensa 2 segundo e diz "ainda não sei, porque é na sexta feira. Acho que vou levar a pequena. Mas se bem que também posso ir com a princesa. Vou ver..." Contextualizando: princesa é a esposa e pequena é a namorada. Daí ele descamba a contar que a princesa sabe da pequena e que a pequena tá grávida mas ele não sabe se o filho é dele, vai ver quando nascer. E eu estupidamente (mais uma vez), pergunto "Nossa Fred que moderno, vai fazer exame de DNA" resposta: "é o que? Não precisa fazer exame não, é só olhar as orelhas, os dedos, o nariz " (?!?). Promiscuidade. oi? A coisa aqui tá feia. Todo mundo pega todo mundo. Todos os dias vejo centanas de mulheres grávidas pelas ruas de Luanda. Aids? Preservativo? oooooi???
Expatriados então.... M-E-D-O. Veem essa zona generalizada e entram na dança das cadeiras. Todos os finais de semana dá pra conhecer pelo menos uns 5 ou 6 que se dizem solteiros mas quando tiram a mão esquerda do bolso, a marca de sol deixada pela aliança, ofusca. Eu já cheguei a conclusão que só pode ser a comida e a água daqui. Por esses e outros motivos que eu só como salada e escovo os dentes com água mineral.

dica freak

Finalzinho de semana gostoso, com sol, festa, amigos e comida boa!Quem disse que Luanda não tem vida noturna ou gente interessante vai queimar na fogueira! Santa inquisição Batman! A balada forte aqui começa na quinta, no Palos. Noite Latina. Quer se jogar na rebolación? Vá pra lá. Pontos fortes: lugar pequeno que facilita vc conhecer as pessoas facilmente, bebida boa e preço razoável, show de dançarinas cubanas (pra mim elas são angolanas, mas eu finjo que acredito). Pontos fracos: o show das cubangolanas cansa um pouco. Quando calha de quinta-feira ser véspera de feriado, o lugar fica insuportável. A música? Salsa, Merengue, Kizomba, Tarrachinha e um pouco de House com batidas latinas. Resumindo, na sexta meu pé e um sapato cheio de carne moída são a mesma coisa. Prepare a sua dose de Red Bull para a manhã seguinte se você tem que trabalhar, pois é I-M-P-O-S-S-I-V-E-L sair de lá antes das 3h30 da madruga.

Sexta-feira o agito acontece e se divide em dois lugares: pra quem gosta de um sonzinho eletrônico fino com muito House, electro e minimal, vá ao Chill Out. Pra quem gosta de variedade, a pedida é o Bay In. (dar endereços é impossível uma vez que isso aqui ainda não existe, mas se ajuda alguma coisa os dois se encontram na Ilha de Luanda).

Sábado tem a dobradinha. O lugar se repete mas as histórias que rendem, jamais! A noite começa no Bay In ou Chill Out, mas obrigatoriamente acaba no Palos e regada a muita Tequila.

Domingo é dia de encontrar os amigos na praia, almoçar olhando o mar e fechar o dia tomando um drink e vendo o Sol se pôr na Ilha de Luanda. Sendo assim, a praia se divide em setores. Em frente ao Caribe, é pra pessoas mais velhas. Em frente ao Chines a galerinha descolada que só estende a tolha na areia e se esparrama da forma que der. E por último o São Jorge, lugar perfeito pra quer ver e ser visto. Almoço pra mim, tem que ser no Caribe. Não abro mão da minha salada de camarão que vem dentro de um abacaxi. Pra acompanhar, meu drink preferido: Mojito.

Depois de comer é se jogar em um dos sofás de frente para a praia e conversar enquanto o Sol se perde no horizonte.

April 18, 2008

afreakana nas alturas



"Serra da Leba. Uma das grandes maravilhas do Planalto da Huíla no Lubango. Famosa pela sua altura e sua arquitectura natural, a Serra da Leba destaca-se também pela rodovia que nela se encontra formando uma serpente. "

Descontando o enjôo após as curvinhas, a vista quando se chega ao ponto mais alto é deslumbrante. Às 6h da manhã eu não sou a mais animada do mundo para tirar fotos, mas até que saíram umas interessantes.

Saímos de Namibe em direção a Lubango logo que o sol nasceu. Kizomba tocando no rádio e um dia que prometia ser ensolarado. Sol na serra? só se for em Marte. Ilusão a minha.... TUDO NUBLADÃO. Queremos sol?

São 2 horas de viagem que passam muito rápido. A paisagem por mais que seja muita areia é bem bonita. De repente mato mato mato!!! montanha montanha montanha e cuuuuuuuuuuurva. E eu naquele misto de sono e enjôo. Mas valeu, cada minutinho.

Chegando no aeroporto do Lubango foi a melhor parte. Eu sentadinha na sala de embarque, com o Laptop no colo, acessando a internet pelo meu MoviNet (merchandising, plim plim) e uma senhora toda vestida a carater africana MESMO, do meu lado com uma galinha no colo e CONVERSANDO com ela. Salve Gonzo e sua galinha Priscilla. E eu só pensando, "ai meu Deus, eu que já tenho pavor de criança chorando em avião, agora tenho uma galinha pra cacarejar do meu lado!" Enfim, bizarrices locais.

PS: a galinha sobreviveu ao vôo e foi quietinha! Sem nenhum piu! ahahah piada infame.

April 16, 2008

ai que nó!

"é quando o vento sacode a cabeleira, a trança toda vermelha"... e lá fui eu depois do trabalho andar pela cidade (ainda no Namibe). Nada que em 20 minutos você não a conheça toda e em 5 minutos ela toda já te conheça. "Branca, cara de rica, óculos escuros enorme e brasileira!" Essa foi a descrição que me deram quando eu entrei em uma loja e as pessoas já sabiam que por aqui eu estava (particularmente, eu adorei o "cara de rica").

Eu, que procurava por Shampoo, acabei parando em uma loja que vende cabelo. Oi? C-A-B-E-L-O. Papo vai, papo vem, eu perguntei à mocinha da loja onde eu poderia fazer um penteado africano, tranças. "O salão da minha tia é o melhor do Namibe!" Uia, freaky cara de rica adora frequentar os melhores lugares da cidade onde está. "E como eu chego nesse lugar maravilhoso minha santa?" ela disse que era muito longe pra ir andando, tipo 30 minutos.

Dadas as devidas explicações e eu me preparando para correr antes que o salão fechasse, para um carrão dourado na frente da loja com uma fulana luxo dentro. Nega alta, bem vestida, cabelon moderno, dona e propritária da loja de cabelos e do hotelzão do lado. A dama não era dona da cidade, mas era a mulher do dono. Tsá?

De sobrancelhas arqueadas e ar bem blasè ela olha pra mim e pergunta "tá fazendo o que perdida aqui nesse fim de mundo minha querida?" freaky odeia esculhambações gratuitas de pequenas cidades, mas como não sou boba nem nada, não ia já caçar confusão com a viúva Porcina do pedaço. Expliquei do penteado e não foi que a fofa me enfiou dentro do carro e fez questão de me levar até o tal salão?

No caminho ela foi me mostrando suas propriedades e seu poder master absoluto. Passou em frente a sua casa pra mostrar a BMW parada na porta com dois guardas armados até os dentes do lado. Mas o que mais me chocou foi que essa cidade pra mim parece um orkut. Todo mundo é primo, sobrinho ou agregado de alguém. A dona da loja de cabelo é casada com o dono do hotel e advogado poderoso do pedaço, ela é prima do meu motorista daqui, tia da menina da papelaria, e por ai vai... Assim dá nó na minha cabeça, antes de fazer as tranças!

Chegando no salão, a porta estava fechadinha da silva. 17h01 tudo fechado. Corre pro carro, vai pra outro salão e portas fechadas novamente. Bate na porta, atende alguém de mau humor e diz "Você sabe que horas são???" oi? Desculpa! De onde eu venho 17h ainda é depois do almoço e não final de expediente!!! Foram 5 salões e 5 portas na caaaaaaaara! Voltei na primeira e marquei um horário para o dia seguinte. Amanhã me aguarde, tranças, muuuuuitas tranças vão voar ao vento do deserto do Namibe.

April 15, 2008

namibe. deserto ou oásis?

Pé na estrada e lá vamos nós. Destino: Namibe. Sim, Namibe, Namibia é outra coisa. Ainda em terrítório angolano, a viagem é para o sul do país. A confusão já começa no aeroporto de Luanda, onde chamaram o vôo uma vez só e quando eu cheguei no portão de embarque o ônibus já tinha saído. Fui até o balcão de informações e a fulana diz no rádio "ó Toninho, volta cá pra buscar a passageira atrasada." Vira-se Toninho e diz "E pá, é brasileira não é?", nisso entra uma terceira fulana na linha (que deve ser da SGBO - supervisão geral da bagunça organizada), a dizer "mas por que esses miúdos não mantém o rabo na sala de embarque?". E eu lá, com aquela cara de idiota escutando o mundo a me chamar de criança e a afrontar o meu país.

Pegamos o ônibus e fomos para a aeronave. Antes de entrar você vê um monte de malas jogadas no meio da pista. Daí vira-se um senhor que é uma delicadeza única e diz "tá indo aonde? vai lá mostrar ao moço qual é a sua mala" hein? você vai até as malas, aponta a sua, o moço pega em 10 que não são suas até finalmente ele perceber que a mala que eu apontava é que era a minha. Entramos, escolhemos nossos lugares e ao me ajeitar na minha poltrona feita de tábua de passar roupas escuto a Chefe de Comissaria de bordo dizer ao microfone "senhores passageiros, pedimos desculpas pelo atraso mas já se encontram nessa aeronave os passageiros atrasados." oi? Não chega não? Fónix.... vamos ao que interessa. Namibe (antiga Moçâmedes) é uma província de Angola, dividida em 5 municípios. Tem área de 57 091 km² e sua população aproximada é de 314 000 habitantes. Chamada de província desértica, oi? Deserto? Tipo, areia? Do tipo, muita? Odiamos areia, mas os 310 000 km2 vistos de cima, de dentro do avião até parecem simpáticos.

Pânico mesmo é quando o avião aterrisa em uma pista que é mais ou menos do tamanho da entrada da garagem lá de casa. Congonhas é mole pra descer perto disso. Isso porque só tem areia em volta, dava pra construir uma master pista pra descer até o Airbus A380 ou um Antonov. Cruzes! Aí você olha pra fora e diz, é hoje que eu vou sentir um calor do c******. E sabe que nem foi tudo isso? Luanda consegue ser mais quente... Mas como? Enfim... Desço eu e meu fiel escudeiro Edilson no meio da pista e andamos até o terminal. Terminal não é bem o termo aplicável ao local, mas por se assim dizer é lá, onde se pegam as malas. E eu rezando pro nosso amigo de Luanda ter colocado a mala certa no avião. Achou!!!!
Mais dois passos e passamos pela "Polícia Alfandegária". Eu já ataco de boa tarde pra tentar ser simpática, ele responde, pergunta se fui bem de viagem e diz (ahaahhaha essa foi a melhor parte) "és nacional ou estrangeira?" Mais carregado do que o meu sotaque brasileiro impossível e ele ainda me vem com essa? Respondi na lata, "Nacional, chefe!". E eu sou boba? De estrangeiro eles abrem a mala e confiscam até desodorante... Vai que ele gosta de alguma coisa pra dar pra namorada e me confisca uma bolsa alegando que foi feita de algum animal local. Ah nem... O fato é, o "Nacional, Chefe" colou!

A pesca é o meio de sustento para o povo do Namibe. Oi de novo? Mas a gente não tá no meio do deserto? Tô cafusa. Meninos, e não é que no fim do arco-íris tem um potão de ouro? A praia é logo ali... a 7 km da cidade. Ou seja, pra quem vai de carro pro Namibe, atravessa o deserto todo e chega na PRAIA!!! E que praia, viu? Água azul turquesa e peixinhos que pulam alucinados dando um brilho especial ao mar.

E o meu dia, acabou ali. Sentada a beira da praia, com um belo prato de camarão do lado, conversa boa e um pôr do sol maravilhoso logo a frente.

March 4, 2008

Hazel eyes

Quando o mundo está desabando ao nosso redor é engraçado ver as pessoas que estão a sua volta. Elas não sabem de nada e continuam em suas tarefas rotineiras. Como pode o meu mundo parar e o dos outros continuar girando? As zungueiras estão nas ruas de Luanda, com seus filhos nas costas e as bacias de quinquilharias na cabeça. Lá fora a única coisa que pára é o trânsito, mas isso acontece todos os dias.

Quem me conhece sabe das minhas teorias, e eu sempre achei o máximo viajar, porque quando você está em um lugar diferente e não conhece ninguém, você tem a oportunidade de mudar. Mudar o cabelo sem ninguém dizer que preferia antes, engordar ou emagrecer porque não há base de comparação. Você é um indivíduo no sentido real da palavra, é você e você. Você pode deixar de fazer coisas que achava errado e ninguém vai pensar que você é esquizofrénico. E era aí que eu via a oportunidade de recomeçar.

De parar pra pensar antes de dizer ou agir. De saber esperar, sem deixar que ansiedade te mate. De ter mais tempo para não ser mais expectador da própria vida e finalmente tomar decisões acertadas. De descobrir o que são decisões acertadas dentro do seu contexto de vida. De dar um sentido a vida e não legenda ao que já se chama de passado. Putz. Por que eu achava que precisaria ir tão longe pra descobrir isso?

Eu queria ter algumas respostas genéricas que me convencessem, do tipo: porque eu sou humana, porque todos somos dignos de perdão e temos o direito de começar em lugar novo, não consegui chegar a mais nenhuma resposta cretina e auto piedosa. A única coisa que demorou mas finalmente eu entendi é que, qualquer lugar é lugar para recomeçar. Hoje é meu dia 1 para o resto da minha vida. Ou até eu me cagar inteira de novo.

February 20, 2008

mais do que mil palavras

Quem vê a foto acima sente um aperto no coração. Essa é a imagem que temos das crianças africanas: pobres e chorando de fome. Estereótipo! É a mesma coisa que dizer que no Brasil só tem floresta e todo mundo é índio. Nosso amiguinho da foto tinha acabado de sair do mar onde brincava com outros amigos felizes da vida. A carinha irada era pura farra na hora de gritar aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah pra tirar a foto. Clique e confira na íntegra todas as fotos dessa galera que é só alegria.

December 3, 2007

Daqui de cima

Daqui, do alto de um prédio qualquer do Maculusso, observo a cidade ser envolvida por um calor que deixa tudo apático e sonolento, o dia brilha sua luz intensa e cheia de polaridades. As nuvens do cassimbo agora são uma lembrança distante. Lá embaixo, sob o sol nervoso, as zungeiras destilam conversas enquanto calmamente vendem frutas, imunes a tudo. Passantes observam e seguem os seus destinos diários. Um homem de fardo azul escuro sonha com a neve sob o sol de 40graus. Perto do Natal todos os sonhos costumam virar realidade, mesmo aqui, em Luanda, onde tudo é beleza e caos, e onde esses elementos se alinham numa métrica única, numa dissonância quase melódica. Cada passo da multidão lá embaixo é um metrônomo que rege essa musica urbana feita de torres, guindastes, tratores, máquinas e gente apressada. São apenas 4 horas desde o último sono, despertado ainda cedo, mas, lá embaixo, a cidade. Essa realidade que carrega um grau de distopia tão grande, uma anomalia social de difícil entendimento. Nessa interzona, onde emoções e sentimentos se constroem e se desfazem com uma rapidez vertiginosa, os olhos são levados a caminhos que desaguam em outros e outros tornando-se muitas vezes dúvidas e labirintos, mais do que certezas. Mas lá embaixo, a cidade. E só a cidade. André Urso, blablablog



Não o conheço pessoalmente, mas sou fã de carteirinha. Esse cara é uma mente brilhante de palavras doces. Meu blog Angolano de leitura diária. Freaky fan!

November 25, 2007

quer casar? pergunte-me como.

O assunto agora é casamento. Mas e aí como é a cerimônia de casamento dos angolanos? Cantos tribais? Muita cor? muita energia? alguma tradição diferente? Não faço a mais vaga idéia!!! Mas recebi um vídeo gentilmente cedido por um colega de trabalho, angolano, que me fez rir por pelo menos 2 horas ininterruptas.

Longe de mim fazer graça do povo angolano. Se fosse um casal brasileiro, americano ou russo, eu acharia graça do mesmo jeito. Esse meu colega, casará no dia 8 próximo, então surgiu o papo de casamento que o fez lembrar de nos mostrar a coisa mais bizarra que ele já viu em Angola.

É normal em casamentos no mundo todo, após a cerimônia, os noivos vão para lugares românticos para tirar 4.586 fotografias pra depois escolher 12 e colocar no álbum cafoninha de casamento e guardar como recordação e olhar mais outras duas vezes na vida. Correndo o risco de se houver separação, ter todas as páginas filetadas a ouro, rasgadas e queimadas em uma fogueira de encruzilhada, desejando que o filho da puta broche eternamente e aquela bisca morra. (ui, desabafei!)

Mas voltando a bizarrice do nosso casal da vez... Eis que meu caro colega estava sentado na praça de alimentação do shopping mais chique da cidade quando de repente... Assista!!!!

November 19, 2007

benguela

Procurei até meu braço cair, alguma coisa sobre a história de Benguela pra ter um fundo mais fundamentado no meu post. Infelizmente não achei nada nem em Inglês, Espanhol, Esperanto ou na língua dos teletubies. Então vai aí um link para as fotos da viagem. Saímos às 6h da manhã, Capitão, Seu 03, Seu 02, e eu, o Aspira (tudo isso, por conta do filme Tropa de Elite, assistam.. É viciante!) Mas voltando para a viagem... O caminho é tortuoso, uma mulher grávida com o peito cheio de leite, viraria manteiga. Porém, a paisagem é de cair o queixo. São árvores de todos os formatos, quilômetros de mar azul turquesa, praias giganteeeescas, e gente andando no meio do nada. Se abrir a janela vai respirar poeira e cuspir tijolo, mas vale a pena pra garantir uma boa fotografia.

Hoje eu não estou estou de muitas palavras, mas estou pra lá de fotografias.
Confira aqui!

Freaky adora viajar

November 16, 2007

minha metade angolana

Cai a tarde em Luanda. 17h e o sol arde como meio dia. Entre relatórios e anotações tiro o fone de ouvido para beber um copo d'água e deixo Mat Kearney cantarolando by himself. O som agora é outro, o sotaque é diferente e de repente as pessoas a minha volta me parecem estranhas. Um mês em Angola. Ai meu Deus eu to na Africa?! Um mês depois e a ficha caiu. É engraçado como nos habituamos a correria e nem percebemos que tudo mudou, que você mudou, seus valores mudaram, seus amigos mudaram, seu endereço mudou, que o mundo não parou de girar. Senti saudade de casa.

É como se eu estivesse dividida esquizofrenicamente ao meio. Metade de mim já mora aqui faz tempo e leva uma vida sossegada cheia de amigos queridos, trabalhando durante a semana e indo à praia nos finais de semana. A outra metade sente perdida em algum lugar, presa a alguma coisa. Angústia escrota, é uma expressão perfeita pra definir. Sentimento seguido de palavrão, não necessariamente nessa ordem. Um explica e o outro quantifica.

November 8, 2007

a palavra é: rabo!


O que você, mulher ou homem faria se alguém dissesse que você tem um rabinho empinado ou um cuzinho muito bonitinho? Há um mês atrás eu viraria um tapa bem no meio da fuça do sujeito. Bem a verdade é que, dependendo do sujeito, eu ainda viraria o mesmo tapa dependendo do grau do gracejo. O fato é que, rabo ou cú em Portugal, Timor Leste, Angola e demais países de língua portuguesa, com exceção do Brasil, usam essas palavras para descrever aquilo que nós chamamos de bunda, bumbum, traseiro, pandeiro, popô ou chula (para as desprovidas). Não sei com o que as mães alimentam seus filhos por aqui, só sei que em Angola não existe desbundado.

A definição já entendemos, cheguemos então a prática. Vale ressaltar que o corpo da angolana é fantástico. Tudo no lugar, celulite aqui não chegou, barriga - o que é isso? - sutiã, hein?! Sempre com pouca roupa e muito conteúdo, elas andam por aí com suas bundinhas, digo rabos, a balançar e enlouquecer os marmanjos que passam.


concorrência injusta


Eu, agora só vou à praia de burca. Última moda para as branquelas azedas do pedaço. Ah, não! Chega a ser injusto. O tamanho nunca é proporcional ao tamanho da negrinha, mas mesmo assim o conjunto é harmonioso. Ovaladas, as bandinhas se sincronizam e robolado é perfeito. Os tons variam de chocolate ao ébano, mas a textura é de veludo. Dentro das calças jeans apertadíssimas ou num fim dental na praia, eu sou mulher, com muito gosto e fã dos cuzinhos de Angola.

P.S: Hoje, saindo da sala de reuniões, ganhei um fiu-fiu de um angolano. A dúvida que paira é: será que ele achou o meu rabo digno das angolanas ou exótico? Malhação djá!

November 7, 2007

November 6, 2007

isto é áfrica? não mesmo!

"Aconteceu na versão da África do Sul. A imagem de uma participante do Big Brother sendo estuprada por um outro interno na casa televisiva de Johanesburgo embrulhou o estômago de milhões de espectadores do programa sul-africano, de acordo com a revista "First Post".

Uma enxurrada de mensagens por e-mail atravessou jornais, sites e canais de televisão. Ultraje coletivo no país que ainda cura as feridas do apartheid.

As câmeras indiscretas flagraram o estudante de cinema Richard Bezuidenhout (foto), de 24 anos, originário da Tanzânia, atacando a auxiliar de enfermagem Ofunneka Molokwu, de 29 anos, nascida na Nigéria e que estava bêbada no momento da agressão sexual.

Quem assistiu à cena descreve: Richard caminhou até Ofunneka, que, aparentemente, estava em coma alcoólico, e penetrou sua vagina com os dedos. Ele continuou a investida, apesar dos apelos de outras participantes para que parasse. Depois do ataque, o tanzaniano se afastou e foi se sentar distante. As câmeras ainda o flagraram cheirando os próprios dedos.

Mais de um milhão de pessoas têm assinatura do Big Brother na África do Sul.

Para a grande maioria, os funcionários da Endemol, empresa holandesa que detém os direitos do programa no mundo todo, deveriam ter agido para impedir a relação não-consensual.

Segundo a lei da África do Sul - onde, a cada 40 segundos, uma mulher é abusada sexualmente, em média - tal ato constitui estupro.

Richard, que é casado, defendeu seu criminoso comportamento sexual assim: "Bem, isto é a África".

Horripilante, não?"


Extraído do blog de Fernando Moreira http://oglobo.globo.com/blogs/moreira/

To bege até agora...

um clássico



essa a[freak]ana nem precisa dizer que é música tema
enjoy it!

November 5, 2007

movicel live fest 2007


O Movicel Live Fest 2007 aconteceu no dia 27 de Outubro. Recheado de atrações nacionais e internacionais, o festival reuniu 20.000 pessoas no Estádio Cidadela, em Luanda. Afreakana estava lá, conferindo de pertinho o povo angolano se jogando.

Foram 8 atrações de levantar poeira. A noite abriu com Dji Tafinha, rapper angolano, seguido por Yuri da Cunha, cantor de Semba (não é samba). Os Lambas, banda de KUDURO (assunto pra um único post), Fally Pupa, Paulo Flores (muuuito bom). Alpha Blondy chegou ahazando com reggaes de sucesso das antigas. Nelson Freitas me emocionou. O cara levantou a galera, foi de arrepiar quando ele cantou You're beautiful. E finalmente, entra Joelma e Chimbinha, a banda Calypso. Nunca vi tanta gente pulando... e gritando "acelerou, acelerou, acelerou meu coração" vale a pena conferir o videozinho no You Tube, do Calypso no Domingão do Faustão!!!

+ fotos? Acesse djá!