"é quando o vento sacode a cabeleira, a trança toda vermelha"... e lá fui eu depois do trabalho andar pela cidade (ainda no Namibe). Nada que em 20 minutos você não a conheça toda e em 5 minutos ela toda já te conheça. "Branca, cara de rica, óculos escuros enorme e brasileira!" Essa foi a descrição que me deram quando eu entrei em uma loja e as pessoas já sabiam que por aqui eu estava (particularmente, eu adorei o "cara de rica"). De sobrancelhas arqueadas e ar bem blasè ela olha pra mim e pergunta "tá fazendo o que perdida aqui nesse fim de mundo minha querida?" freaky odeia esculhambações gratuitas de pequenas cidades, mas como não sou boba nem nada, não ia já caçar confusão com a viúva Porcina do pedaço. Expliquei do penteado e não foi que a fofa me enfiou dentro do carro e fez questão de me levar até o tal salão?
No caminho ela foi me mostrando suas propriedades e seu poder master absoluto. Passou em frente a sua casa pra mostrar a BMW parada na porta com dois guardas armados até os dentes do lado. Mas o que mais me chocou foi que essa cidade pra mim parece um orkut. Todo mundo é primo, sobrinho ou agregado de alguém. A dona da loja de cabelo é casada com o dono do hotel e advogado poderoso do pedaço, ela é prima do meu motorista daqui, tia da menina da papelaria, e por ai vai... Assim dá nó na minha cabeça, antes de fazer as tranças!
Chegando no salão, a porta estava fechadinha da silva. 17h01 tudo fechado. Corre pro carro, vai pra outro salão e portas fechadas novamente. Bate na porta, atende alguém de mau humor e diz "Você sabe que horas são???" oi? Desculpa! De onde eu venho 17h ainda é depois do almoço e não final de expediente!!! Foram 5 salões e 5 portas na caaaaaaaara! Voltei na primeira e marquei um horário para o dia seguinte. Amanhã me aguarde, tranças, muuuuuitas tranças vão voar ao vento do deserto do Namibe.
